Memórias.
Memórias de uma doçura imensurável e o vazio. A saudade torna-se sufocante. Pensamentos avulsos de ideias confusas. Direcções racionais de caminhos que não queria realmente percorrer.
Os 90% do meu coração querem agora ser controlados pelos 10% da minha racionalidade. Nunca foi a minha parte dominante, não será agora.
Não renego o sofrimento que advém do sentimento que teima em partir. É cedo dizem eles. Sim é verdade, bem o sei. O sufoco estará presente a termo indefinido. "Não renegues a dor, absorve-a, aprende e segue em frente" - dizia-lhe eu. Essa mesma frase é verdade agora para mim.
Aprendi sim.
Já estive do teu lado. Sei seres mais racional que eu.
Sei que tens saudades.
Tal como eu, esperavas em breve poder ter uma vida diferente.
Sei não estar a ser fácil também para ti. Dávamos ambos um imenso valor ao que sentíamos bem patente nos nomes carinhosos que trocávamos que agora me ecoam aos ouvidos nestas difíceis manhãs.
Ficaram as memórias de dois anos fantásticos que contigo passei. Ficam as fotografias para mais tarde recordar.
Sim, juntos, éramos excelentes.
Não serei jamais a pessoa que pintaste para partir.
Mas, orgulhosamente preso na minha condição humana, continuarei ad eternum a cometer erros e terei o perdão guardado num cantinho especial pronto a usa-lo quando a situação se inverter e esse alguém o merecer.
Mudarei sim ao máximo com o bom que deixaste, recusar-me-ei a mudar com esta espiral de sofrimento. Anseio por mais um alto e baixo na minha vida, sem medo.
Se tão baixo caí, foi porque bem alto subi.
E ainda mais alto subirei para ainda mais baixo voltar a cair.
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